segunda-feira, 6 de abril de 2026

Ártemis

 No arcabouço das horas

E das eras,

Erra imenso

Pelo kosmo

Aceso,

Pelo voltear dos astros,

Pelos pastos,

Pelos passos,

Da escuridão infensa.

Quedamos aturdidos

Mesmo com aço,

Mesmo sabendo

Os caminhos idos.

Quedamos presa de nós

Próprios, de nosso asco,

Ascese das oportunidades

Perdidas.

Que vida amarga,

Que vida fodida:

De todas as possibilidades,

Deu-nos ser objeto

Deu-nos ser partida

De quem lucra com sofrimento,

De quem só pensa com a lombriga.

Possa o povo se unir,

Possam as eras ceder,

Possa a dor cessar,

Possa o dia, enfim, nascer.


RP, outono de 2026

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