O que aconteceu contigo, Carlos?
Qual bicho te mordeu?
Tinhas esperanças, sonhos,
Um futuro, um que era só teu.
Hoje estás destruído
Alquebrado pela vida.
És um longínquo ruído,
Uma coisa destruída,
Estás num buraco infindo
Te tornastes uma fruta roída.
Oxalá encontre força
E se recupere.
A festa ainda não acabou.
As pedras do caminho
Só indicam que ninguém passou,
Mas para tudo o povo dá um jeitinho.
Para sair dessa fossa,
Te digo: levanta, lê um livro, te movimentas
Te organizas, não estás sozinho.
Tens a ti mesmo, teus camarás,
Um mundo, um sol com brilho.
Só não há além,
Não, nem um pouquinho.
R.P., inverno de 2026