sábado, 10 de janeiro de 2026

Z.

 - Armamos as choupanas,

Sorvemos o licor da terra,

Extraímos o néctar o mais puro da natureza,

Provamos o tutano das bestas

E os frutos do solo,

Os quais, de prévio, apascentamos e domamos.

Crescemos sob o uso do humus mesmo.

E tudo para que?

Para nos tornarmos pasto de vermes e pousio das moscas,

Para nos misturarmos com tudo aquilo que vivo,

Jaz morto, entremeado à  poeira,

Para ter nossa dignidade reduzida ao chorume

Que envenena o corpo do planeta

E polui a água mesma,

Este vinho da vida.

...

- Mas o que esperavas?

O divino encarnado?

O diamante vivo?

O cristalino do eterno?

Queres demais,

Foste mal acostumado

Pelas tontarias dos platônicos de batina.

Senta em tua poltrona,

Traga a aguardente que te faz sentir vivo

E prova do manjar que te é ofertado.

A vida é curta e insensível

Somente para os autômatos

Que já não refletem

E matam o presente

Na futura frialdade da tumba.


RP, verão de 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário