- Armamos as choupanas,
Sorvemos o licor da terra,
Extraímos o néctar o mais puro da natureza,
Provamos o tutano das bestas
E os frutos do solo,
Os quais, de prévio, apascentamos e domamos.
Crescemos sob o uso do humus mesmo.
E tudo para que?
Para nos tornarmos pasto de vermes e pousio das moscas,
Para nos misturarmos com tudo aquilo que vivo,
Jaz morto, entremeado à poeira,
Para ter nossa dignidade reduzida ao chorume
Que envenena o corpo do planeta
E polui a água mesma,
Este vinho da vida.
...
- Mas o que esperavas?
O divino encarnado?
O diamante vivo?
O cristalino do eterno?
Queres demais,
Foste mal acostumado
Pelas tontarias dos platônicos de batina.
Senta em tua poltrona,
Traga a aguardente que te faz sentir vivo
E prova do manjar que te é ofertado.
A vida é curta e insensível
Somente para os autômatos
Que já não refletem
E matam o presente
Na futura frialdade da tumba.
RP, verão de 2026
Nenhum comentário:
Postar um comentário