quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Elementos para a análise de conjuntura em setembro de 2026

 A ordem global está um balaio de gato. Andei-me ocupando, no começo do ano, com Julien Freund, um pensador francês da polemologia, i.e., sociologia da guerra. Ele busca formular as leis de todo conflito. Um desses postulados é aquele da polaridade, ou seja, todo conflito tende a assumir uma forma polar, quer dizer, dois oolos se enfrentando. Até pouco, havia dois blocos muito claros: OTAN e Organização do Tratado de Xangai (OTX, Rússia, China, e uma série de outros países asiáticos). A OTAN vinha buscando se expandir para o leste, razão pela qual os russos reagiram e invadiram a Ucrânia em uma guerra imperialista. Conflito, pois, interimperialista. Ocorre, entretanto,  que a Rússia, ainda que inimiga estratégia (o regime é criptofascista), é aliada tática do Brasil, uma vez que nosso principal inimigo são os EUA, que também é o principal inimigo dos russos e de nosso principal parceiro comercial,  os chineses. Não há mudança popular possível no Brasil e na AL, em geral (mudança de fato, não social-democracia) enquanto os EUA forem o hegemon, já que possuem múltiplas garras em nosso país, aliados das elites mais arcaicas desta terrinha. Assim, a ordem multipolar nos interessa, uma vez que há constante produção de subdesenvolvimento por obra dos próprios  EUA e aliados. Ora, um boato ronda a internet: o boato do acordão. Diz-se que  EUA, Rússia  e China dividiram o mundo em esferas de influência: Leste asiático para a China, Europa para a Rússia, América para .... os EUA, nosso principal inimigo na luta pelo desenvolvimento. Assim, aqueles (Rússia  e China)que  são nossos aliados estratégicos, nos BRICS, por um mundo multipolar, são nossos inimigos táticos na luta contra os EUA. Desta maneira,  a social:democracia brasileira  (o PT), busca aliados internacionais que a ajude a manter a independência,  por exemplo, a UE, entregue à sanha russa. Ocorre que a UE é, junto com os EUA, uma das principais produtoras de subdesenvolvimento em nosso país é inimiga estratégica, mas aliada tática. Nessa confusão, a política interna brasileira se debate. Há  dois partidos: o partido dos EUA, sempre forte (é o partido do agro), e o partido brasileiro.  O partido dos EUA é, conforme dito, o partido do agro; contudo, nosso principal parceiro no agro é a China, inimiga dos amigos do agro brasileiro,  os EUA. Ao mesmo tempo, nossa possibilidade de desenvolvimento,  que reside em nossa indústria,  concentrada em SP, tem como principal parceiro  os EUA, inimigo estratégico dessa indústria, que foi dizimada pela China, parceira do agro e inimiga dos EUA, que é inimigo da indústria brasileira estrategicamente,  mas depende dela taticamente.  Não há, especialmente nesse momento de elevada tensão,  terceira via socialista para nós,  do campo da esquerda socialista. A Ciência da Estratégia consiste, dentre outras coisas, em hierarquizar meios, fins, tática e objetivo de longo prazo. Nosso objetivo de longo prazo é a revolução socialista global. O principal empecilho para ela é o domínio dos EUA. O que enfraquecer os EUA e nos aproximar da revolução socialista  é estrategicamente correto. Em um momento de disputa entre partido dos EUA, totalmente subordinado a Washington, e a tímida social-democracia brasileira, inimiga da hegemonia dos EUA, e que acena com ganhos de direitos concretos às massas, a escolha para todos aqueles preocupados com a derrubada do domínio do capitalismo,  que ameaça a vida na terra, o futuro das espécies,  e rifa o bem-estar estar de bilhões para enriquecer meio dúzia de bilionários,  já está dada: é Lula 13, com todos os defeitos. Porque se o PT é inimigo estratégico,  é aliado tático.

Nenhum comentário:

Postar um comentário