De um começo marxista, com O trabalho, no PT recém chegado ao Planalto, e com um grupo de gramscianos da terrinha, à conversão, já universitária, ao legado de Malatesta, de um lado, e de Foucault, de outro, foi sob a sombra de Marx que construí meu universo teórico e político. No movimento estudantil, ora aliado, ora contra grupos marxistas, mas sempre em um encontro nem sempre sadio. Já mais velho, ainda ferrenho defensor da autogestão, e fora da vida militante, é forçoso a complacência. O mundo está mudando rapidamente e pessoas muito gananciosas parecem não ter planos bons para nós, do sertão ou do litoral. Ou bem resistimos com todas as nossas forças, nos aliando com quem também busca sobreviver, tanto enquanto indivíduo quanto enquanto civilização, ou soçobraremos na hora mesmo em que vislumbramos uma saída. Trata-se de nazistas, gente que se crê superior por conta de um ou dois genes, que nos saqueou e nos escravizou, que continua a fazê-lo, agora sob nova roupagem, mas que se cansou das firulas e da enrolação: eles virão para tomar. Assim, são belas as palavras de Foucault e mais belas as do anarquismo, mas no presente temos de saber hierarquizar as prioridades; essa hierarquização tem um nome: estratégia. Ou bem admitimos que nossas melhores alianças residem nos chineses e que a tarefa do dia passa por reorganizar e criar uma força estratégica na terrinha, que possua capacidade política nos preparar para a dura batalha que se anuncia, ou já estaremos vencidos, condenados a nos reduzir a objetos de nazistas. Tudo que não esteja subordinado a essa objetivo estratégico parece-me fútil, no momento. Qual organização tem essa potencialidade no Brasil, no presente?
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