terça-feira, 8 de setembro de 2020

7 de setembro [poema]

 Assertar nem sempre é acertar

O presidente só asserta com dois esses

Quando mais ele assevera,

Mais o Brasil desvanece

 

Vamos, meu povo, não podemos ficar assim

Está pior

Vai ficar ainda mais ruim

Se não agirmos pra melhor

 

O tempo  é esse:

Reage Brasil!

Independência não é quermesse

É ardil!


Ribeirão Preto, setembro de 2020

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Análise de conjuntura

 Um dos primeiros tratados de política foi o livro homônimo de Aristóteles, Política. Neste como em outros textos o brilhantismo do Estagirita, como também é conhecido o filósofo, aflora. No atual momento, me chama atenção em específico a parte em que ele aborda as mudanças de regime. Aristóteles afirma que a base de um estado estável é a existência de uma classe média [to mesoi] firme, bem estabelecida. Quanto mais bem assentada for a classe média, ele nos diz, tanto mais firme será o regime. Tornada débil, as chances de revolução aumentam, com a consequente mudança de organização social. No pós -guerra, essa parece ter sido uma lição aprendida pelo Ocidente. Não só se verificou um crescimento econômico sem precedentes, como o produto social era dividido através do Estado, ou, talvez, mais bem dividido do que atualmente. Essa prosperidade caçou o espírito revolucionário das classes trabalhadoras nos países ricos em plena guerra fria,restringindo este aos guetos ou à populações ou países marginalizados, que não tinham parte na bonança global. Veio a contrarrevolução neoliberal e o assim chamado Estado de bem-estar social começou a ser dilapidado. As elites globais bem como as regionais passaram a apostar em um empobrecimento das classes inferiores, e buscavam quebrar a espinha dorsal do movimento operário de então, os sindicatos, em um contexto de URSS combalida e enfrentando dificuldades internas, como dissidências. Os anos correram, a URSS caiu, e a estratégia se aprofundou. O neoliberalismo e sua terceirização acabou com o poder dos sindicatos. A social democracia se bandeou para outro time e os empregos industriais do Ocidente migraram para o outro lado do mundo. Agora, no Ocidente, temos uma mistura de empregos precários e pauperização. A saudade de um tempo ido alimenta a extrema direita, e a esquerda, desprovida de sua base operária, encontra-se defendendo pautas rigidamente liberais, como casamento LGBT ou uso recreativo da maconha. Desorganizados, tudo se tolhe dos pobres. Se esse coquetel de condições é molotov, bastante explosivo, a ausência de uma perspectiva de luta somada a uma esquerda totalmente eleitoreira e adaptada dificulta o tracejo de estratégias. Em algum sentido, regredimos aos primórdios do capitalismo; em outro, estamos ainda piores do que lá, visto que nos falta o sentido de coletividade que os trabalhadores do campo chegando à cidade possuíam. Para ser viável e fugir das pequenas revoltas, como Junho, e suas pequenas vitórias, é necessário organização. Não um ou outro partido; organizações de classe. A crise não é de direção, mas de organicidade. Superar essa situação, com organizações de bairro, de estudo ou de trabalho é nossa principal tarefa. Nesse último caso, agravado pela burocracia, peleguismo e baixo número de militantes. Eu mesmo não me encontro militando após um grande período de atuação contínua. Convencer os velhos militantes é parte da tarefa. Ninguém falou que seria fácil mudar o mundo. A desesperança joga para o partido adversário. Sejamos crentes que a situação é explosiva e atuemos para potencializá-la em processos consistentes; afinal, trazemos um mundo novo em nossos corações.

sábado, 5 de setembro de 2020

Prefácio de um livro a escrever [nacionalismo e filosofia]

 

A filosofia brasileira é maltratada nos departamentos. Preferimos os Fischer, Hartman, Bonhomme e Stone. O filósofo de cepa estrangeira goza de maior reputação entre nós que o legítimo produto desta terrinha, para não dizer dos nossos companheiros de viagem latino-americanos. Preconceito tolo, fundado em um pathos  de pertença artificial ao centro como se, ao debatermos com os pensadores do centro, estivéssemos simbolicamente nos inserindo, com nossa frágil carne de Terceiro Mundo, no cerne mesmo do debate. Claro, há de se argumentar que as grandes produções estão no coração do sistema global e que a nós, fracos em todo o resto, a glosa da fina flor do núcleo do pensamento que vem transformando o globo nos últimos milênios é mais proveitosa que a discussão com esses caramelos da nessa nossa.

Há mesmo um mito de que não haveria filosofia brasileira, de que nessa terra de palmeira se sabiás, por uma mística força incontrolável do universo, o pensamento filosófico não tenha conseguido se instalar com jeito, que a reflexão sob o sol dos trópicos tenha cozinhado os cérebros da inteligência dos filhos que não fogem à luta, redundando em uma cultura de comentários e notas de rodapé aos grandes sistemas.

O conflito instalado, afora tudo isso, entre uma civilização de colonos, colonizados e colonizadores, herdeiros de prisca cultura, que remete às areias do Egito e aos zigurates da Babilônia, sem contar os tão repisados helenos, e as delícias de uma terra cheia de gente saradinha, dominada e exterminada; enfim, tudo isso só vem agravar uma falta de pertença, de sentimento de gozo das próprias paragens que nos afligem. Esses elementos foram elevados à milésima potência por um presidente patriota — patriotário para muitos — que prefere entregar o pouco que conquistamos ao invés de, segundo sua proclamada posição, investir no autóctone, no apanágio dessas plagas, fruto não mais encontrado em nenhum outro lugar. E a claque aplaude enquanto o país explode.

Conheci Cruz Costa em meados de 2012, enquanto fazia, curiosamente, uma leitura sistemática da história da filosofia, seguindo o cânone, quer dizer, principiava pelos gregos e me dirigia aos cimos da metafísica. O contato com Cruz Costa foi provavelmente mediado pelo C.A. de Filosofia da USP, que carregava o nome do digníssimo até bem pouco tempo. A leitura de seus livros destrói a maior parte destes mitos, como o da inexistência da filosofia brasileira. Não só existe, como é secular, remetendo ao projeto mesmo de colonização da terra brasilis. Segundo Cruz Costa, a marca dessa filosofia seria suas preocupações práticas, orientadas para a conquista do sertão, para o desbravamento de terras desconhecidas aos europeus, com suas ervas, bichos e gentes de outra cepa, estranha aos boreais ventos do Norte.

Cruz Costa escreve no rebote dos movimentos que sacudiram a Velha República, e se liga a um projeto de desenvolvimento do país, cuja figura maior foi Vargas, figura polêmica e central nos entremeios dessa nação gigante pela própria natureza. Considerado primeiro estudante da USP, mais tarde professor na mesma instituição, Cruz Costa legou ao país uma filosofia preocupada com as questões nacionais, com o desenrolar de um povo no país.

O contato com Álvaro Viera Pinto foi mais tardio. O conheci, creio, através da crítica que dele faz Ivan Domingues. Vieira Pinto foi um pesquisador do ISEB, o famoso instituto desenvolvimentista que, no pouco tempo de vida, também se ligou a um projeto de desenvolvimento nacional. Ele é mais explícito que Cruz Costa. Para ele, à filosofia caberia um papel de coordenação, de direção mesma, do processo de desenvolvimento em sua luta contra as forças regressivas, na época materializadas em autores como Gudin.

Domingues considera que Cruz Costa e Viera Pinto, por defenderem a ideia de autores fortemente engajados na transformação da realidade social do paíss, estariam ultrapassados e que agora seria a hora do intelectual global, conectado com os problemas do globo. O nacionalismo, verdadeira relíquia de era pristinas, teria se ido. Soa a hora do global thinker, do engajamento global, do pensamento da humanidade como conjunto.

O professor mineiro, Ivan Domingues, deixa clara sua influência: Weber, verdadeiro arauto do liberalismo, ainda que de um liberalismo inteligente, refinado. Nós, por nossa via, não almejamos um mundo de livre circulação de capitais, mas um planeta interligado por fortes laços de solidariedade, fundados da irmandade geral dos povos, a qual, por sua vez, se referencia em verdadeira integração global. Não só capitais, mas pessoas, ideias, orientadas para o autêntico bem e prosperidade planetárias.

Safatle, em um artigo publicado há não muitos anos, defendia uma ideia mais refinada, mas de cepa símile, ao propugnar que a filosofia brasileira deveria ser abandonada, tanto tendo em vista as fortes interlocuções filosóficas, com franceses comentando alemães, por exemplo, quanto a realidade de que a verdade é universal, ou seja, não possui nacionalidade. Safatle se esquece assim que a verdade não é um nome atemporal, mas que ela é conquista histórica, refinada ao longo das eras e das geografias. Para que alcançássemos o monismo, depois o materialismo, os milênios correram, e não sozinhos, mas deixando atrás de si rastros de sangue. A verdade da economia dos EUA não é a verdade da economia do Brasil. O que é bom para os EUA, enquanto país, não é bom para nosso país. A classe trabalhadora daquele país goza dos benefícios indiretos da dominação dessa terra sobre a nossa. Claro, pode-se argumentar que a unidade internacional dos povos é necessária e que, enquanto classe, partilhamos os mesmos objetivos. É fato, essa verdade é, mesmo, transhistórica, tanto mais se apelarmos para um nível ainda mais fundamental e apelarmos para a realidade das necessidades humanas, onde, de olhos puxados, de pele negra ou cabelos loiros, todos nos encontramos. Mas a realidade é que essas populações, em sua esmagadora maioria, vem apoiando um outro tipo de projeto, fundado não no entendimento universal dos povos, mas na continuidade de uma intenção e ação que nos oprime enquanto nações historicamente exploradas e saqueadas. Impossível não lembrar do texto do infeliz senador Cristovam Buarque: quando quiserem a irmandade um universal, pois bem, seremos os primeiros a aceita-la; mas enquanto insistirem em políticas que só beneficiam uma parcela de sua própria população, seremos os professores de uma nova realidade que, cada vez mais, precisa se insinuar.

O nacionalismo filosófico, na esteira de Cruz Costa e Pinto, insiste nesse gênero de ideias. O pensamento não pode se deixar perder nos píncaros da metafísica; deve estar ancorado nas grandes questões nacionais, se possível oferecendo os instrumentos para se apreender essa realidade  permitir que outras ciências construam os modelos que nos livrem do fardo da exploração imperialista, das regras dos organismos de comércio, da submissão militar e cultural, etc.

Consigo me recordar de um texto, creio que de Mário de Andrade. Nele, o velho literato afirmava que não seria nos dissolvendo na cultura universal que contribuiríamos com a mesma, mas, ao contrário, sendo resolutos brasileiros, exercendo nossa antropofagia de tupinambás, que poderíamos contribuir com o gênero humano.

 É nesse gênero de ideias que depositamos nossas forças, fazemos votos e por elas militamos.

sábado, 29 de agosto de 2020

Elogio da barriga [crônica]

 

Os novos tempos. Tantas vezes imaginados, retratados, sonhados. Mais do que isto, em torno do futuro se organiza mesmo toda nossa vida. Como seremos, nosso trabalho do futuro, as coisas que pretendemos adquirir, as lutas que vamos travar, os objetivos a conquistar. A boa e velha esperança, esta que nos torna tão estoicos e tão combativos. Resignar-se, eis palavra proibida, tanto mais em tempos de coaches, estes que querem nos habituar a engrandecer as forças do pensamento, tomado como vetor mesmo das mudanças. Basta pensar que, como em um passe de mágica, nossos projetos tomam forma, se concretizam e a realidade esperada devém o que pretendemos.

As redes sociais, verdadeiras maravilhas tecnológicas, vem para consumar nossas esperanças. Com tantos sucessos divulgados, tantos e vídeos de qualidade (ou nem tanto), como se desfazer da busca pelas maravilhas prometidas no céu azul de uma sociedade na periferia do mundo? Como imaginar que, por causa de nossas mazelas, os sonhos prometidos estão mais para pesadelos. Em uma sociedade da disputa, traço que talvez remeta aos gregos, há sempre ganhadores e perdedores. As parcas vitórias de certos dotados alimentam a esperança da massa de falidos. Os lucros bilionários do vendedor das cadeias de restaurantes, acalentam os sonhos de grandeza do vendedor de lanches da esquina. Sonhar, ainda não há uma taxa para isso. Mas não forneçamos ideias. Pode ser que este singelo texto chegue ás mãos de algum capitalista de visão maior e logo inventem uma forma de cobrar para ter sonhos; um tônico, talvez pílulas que ajudem nos devaneios. Ou, quem sabe, estejamos atrasados e o mercado dos sonhos já esteja na ordem do dia, em paragens mais estranhas, mas nem por isso menos dissociadas do real.

Em minhas pausas dos estudos, onde me aventuro pelos caminhos e descaminhos das redes sociais, é comum terminar em fotos de homens (ou mulheres) super sarados, com as invejadas barrigas de tanquinhos, os músculos à mostra, por vezes maior que suas respectivas cabeças e o bronzeado — prova última da pertença de classe, visto que o horário comercial coincide com o horário do brilho maior de nossa estrela guia — que não faz nenhuma inveja a Trump, trunfo oculto das forças reacionárias, e, por nossa infelicidade maior, esperança do excrementíssimo presidente desta república de bananas. Esses corpos todo trabalhados são ostentados por perfis de nomes incomuns, estranhos aos silva e santos da população brasileira. Eu, que nem sobrenome tenho, já me sinto escanteado de princípio, perto dos Fassheber, dos Michelin e coisa que o valha.  

Essa mixórdia europeizada, que destas nossas plagas, nossa língua e nossa gente, tudo fazendo para se adequar ao, perdoem o anglicismo, script das redes multinacionais de cinema, me fizeram pensar nos problemas que enfrentam nossa população, no tangente a seu amor próprio. Pode parecer conversa de coach, mas se valorizar, mesmo pelas pequenas qualidades que todos possuímos, é uma forma de conseguir se situar no mundo e de, enquanto segmento social, com características próprias, agir melhor, ter confiança nas próprias capacidades. Uma população espoliada em todos os sentidos, como é a brasileira, não pode se dar ao luxo de deixar escapar o próprio núcleo mesmo da subjetividade, o sentimento do próprio corpo, e entrega-lo de bandeja aos padrões internacionais que nos insuflam o desprezo dessas palmeiras e sabiás em benefício de sei lá qual nome europeu.

Por isso, resolvi escrever singelo texto onde nosso autêntico brasileiro, dos quais eu não poderia nem mesmo enumerar, fosse louvado. O homem com barriga. Muitos me acusarão de hipocrisia, mas entre a farroupilha e a hipostasia, uma breve louvação do puro fruto de nossa terra só há de nos fazer bem.

O núcleo mesmo de homem brasileiro só pode ser a barriga. Homem forte, afeito ao trabalho, é na barriga que se concentram suas preocupações, dados os míseros salários dessa terra de gigantes com nanismo, como aqueles do sertão nordestino, fartamente estudados há não muitos anos. O excesso de barriga só pode significar uma incomum fartura, isto em um país onde as classes abastadas, alimentadas do suor proletário, se fazem emagrecer em clínicas caríssimas, inacessíveis a maior parte da população. A barriga é a fortuna de uma gente esquecida, que necessita de reservas para poder garantir que terá esperanças. A magreza, índice da morte certa — e os urubus comedores de carniça grassam nesta terra.

Mas também a barriga é fruto certa do principal passatempo de uma gente judiada, o churrasco com cerveja. Para nós, aquela carne assada, de preferência com uma boa capa de gordura ,a se somar a nossas reservas acumuladas com inumerável esmero,  com uma boa cerveja é o sumo da felicidade. A carne, como se sabe, não é das melhores, assim como a cerveja. Esta é adulterada e os mais velhos se lembram de cepas de melhor procedência. Mas, é melhor uma caneca na mão do que duas voando. Na falta de produtos melhores, nossa cerveja oligopolizada só pode nos trazer felicidade e contribuir para essa arte oculta, mesmo entre os antigos, do cultivo da barriga.

A carne, fruto de indizível sofrimento animal, já está tão arraigada no imaginário do povo brasileiro que séculos serão necessários para tornar esse povo afeito a outra forma de aleitamento de seu descarrego de estresse. O churrasco aos finais de semana é um patrimônio imemorial do povo brasileiro, não se restringindo aos gaúchos. Sempre que pode, o trabalhador brasileiro faz um churrasco: aniversários, jogos de futebol, nascimentos.

O cultivo da barriga é a prova mesma da idade de uma pessoa. Quando jovens, a magreza é a regra. O correr dos anos, o vincar das preocupações, o assentar das querelas, tudo isso vai encontrar sua sedimentação natural na barriga do homem. Por isso, é um absurdo querer comparar esses meninos despreocupados, com a vida feita, com outros, crescidos em meio a guerra, para os quais seus pequenos prazeres de final de semana, trégua breve de uma guerra chamada Brasil, oferecem o oásis de um conflito interminável.

Não que o cultivo da barriga se ofereça como esporte regulamentar. Ao contrário, os médicos o proíbe. Pena que a medicina ainda não tenha inventado pílula que cesse com as mazelas de um país como o Brasil. Os antigos já possuíam o apotegma da adequação entre corpo são e mente são. No Brasil, ambos são luxos. Louvar a barriga é louvar o povo e seu modo de vida. Um povo são depende de um país são. E, no Brasil, são  tem outro significado: os brasileiros são todos vítimas de um sistema descarrilhado. Essa é a nossa sanidade. Para esquerdá-lo, aí sim, um povo são se forjará. Até lá, a barriga do homem médio é a senha que nos permite divisar uma outra sociedade. Caso possua barriga, não se envergonhe. É a prova da pertença a um povo despossuído, desprovido e bestializado.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Apotegma de Alcidamas

 

"Todos livres deus deixou, ninguém escravo a natureza fizera"

Ἐλευθέρους ἀφῆκε πάντας (ὁ) θεός, οὐδένα δοῦλον ἡ φύσις πεποίηκεν".

(Alquidamas ou Alcidamas, orador sofista dos séculos V-IV a.C.)

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Barafusteio

 você reclama demais,

é um barafusteio.

A vida se desfaz

no correr das horas

mas também se cria

nas novas auroras.

Amor, não reclame tanto

A vida não é só pranto.

Agora deite aqui

conte-me mais,

seu corpo é tão bonito

quando visto por trás.


Ribeirão Preto, inverno de 2020

Do gozo

 Gozar, eis meu amor.

Gozar, não é este nosso penhor?

Gozar a coisa simples

e também a cara,

gozar enquanto se pode

é esta minha tara.

Gozar a fria noite

e a reluzente aurora.

Gozar o dia todo.

Gozar, eis meu apodo.

E assim levo vida

sem tanto reclamar

gozo na saída

depois de muito entrar.

Meus dias se sucedem,

um dia irão findar,

mas nada me impede

de até lá gozar.


Ribeirão Preto, inverno de 2020