Em seu doutorado, sobre materialismo antigo, Marx trabalha uma importante diferença entre Demócrito e Epicuro. Embora ambos sejam atomistas (o primeiro, um de seus inventores, junto a Leucipo, também originário da cidade de Abdera, do qual não sabemos quase nada), Demócrito é determinista. O mundo, para ambos, é formado átomos e vazio, mas Epicuro acrescenta que os átomos, em sua queda, podem sofrer um desvio, o clínamen. Com isso, introduz-se o acaso ou, se se quiser, a liberdade. Li os fragmentos completos de Demócrito ainda em meu primeiro ano de doutorado. Sua obra era gigantesca e cobria inúmeros tópicos, mas, além dos títulos, quase todos seus fragmentos extantes são de ética, muitas vezes meros apotegmas (sentenças). De Epicuro há mais fragmentos, também li completo, por ocasião da investigação da (abre aspas) obra prima (fecha aspas) de Olavo, que trata justamente de Epicuro; texto surrealista, pode-se dizer. Mas não é disso que quero falar, mas, sim, de uma outra polêmica. Kant, na primeira Crítica, trata como antinomia o par liberdade da vontade e determinismo. Assim, irresolúvel. O mundo das ciências naturais é considerado há muito o reino da necessidade. Já as ciências humanas são o reino da liberdade. Para os positivistas, contudo, não há, a rigor, essa separação: as mesmas leis presidem ambos os campos, e essas leis são aquelas da necessidade. Engels, como se sabe, deixou incompleta uma Dialética da natureza, onde se aproxima, nesse aspecto, justamente do determinismo positivista; se já no Anti-Dühring ele fornecia leis da dialética, extraídas da Ciência da lógica, na Dialética da natureza ele vai mostrar, a seu ver, como os mais recentes avanços científicos comprovavam essa dialética. O resultado disso tudo é o mais estrito determinismo, que redundou no marxismo da II Internacional combatido por quase todos os clássicos dessa linha teórica no século passado. Quase todos, porque, além de Kautsky, que formulou um certo materialismo histórico biológico, Stálin, em seu curto texto "Materialismo histórico e materialismo dialético" subscreve essa visão. É o marxismo-leninismo-estalinismo, origem da diamat. As consequências para a ação política são severas. Os marxistas mais espertos anteviram isso e tentaram poupar Marx dessa empreitada engelsiana. Marx, dizem, formulou uma teoria social, histórica, nada de dialética da natureza. Creio eu, no entanto, que, se Marx o fez ou não, talvez seja difícil mensurar. Contudo, Engels é um marxista consequente por defender essa visão. Ou seria sustentável defender que a sociedade é histórica, muda no tempo, mas a natureza não? Sem contar que na origem da dialética marxista encontra-se aquela hegeliana, que é uma ontologia, inclusive com uma filosofia da natureza. Hegel começa o segundo volume da Enciclopédia justificando a necessidade de uma filosofia da natureza. Assim, e falo como alguém que teve muito pouco contato com Lukács, ontologia em sentido amplo, não somente "do ser social".(mas também dele).
O blog se propõe a debater os temas elencados, expondo a produção autoral de Felipe Luiz, o Guma, mestre em filosofia pela UNESP-Marília e ex-militante do movimento estudantil.
quinta-feira, 23 de julho de 2026
terça-feira, 7 de julho de 2026
A metamontagem
Para Kdu, com carinho
Ao acordar uma manhã de sonhos inquietos, Eduardo Pamsa encontrou-se em sua cama transformado em uma lindíssima travesti. Estava deitada, de peruca, toda montada, um pouco indisposta, pois tinha batido cabelo por toda a noite, além de ter bebido todas. Estava sozinha no quarto, mas o cheiro que tomava o ar era de um dulçor imenso, lembrando-a de que não era mais Eduardo, mas, sim, Eduarda, a terrível, ou Duda Sanguínea, para os íntimos.
Um gosto de boas memórias subiu-lhe à
boca, misturada com certos efeitos da ressaca. Ao lado, no criado-mudo, um
pacote de camisinhas usadas e duas delas no chão, cheias de marcas de intenso
manuseio. Sentou-se à beira da cama, tomou um copo d’água e sorriu: havia se
liberto?
Pamsa buscou recapitular a vida nos últimos
anos. Ainda era jovem, relativamente: não chegará aos quarenta. “Quarenta anos!”,
pensou, “estou quase lá. Mas ainda posso me divertir”. Seus quarenta haviam
transcorrido de forma terrível, entre casos fingidos com mulheres, só para
inglês ver, e desejos reprimidos. “Quarenta, não; trinta e oito, e pronta para
atirar”.. Na balada ontem atirou mais que Clint Eastwood em algum spaghetti.
Atirou como se fosse cangaceira, Maria Bonita rediviva e ativa; atirou como um
franco atirador, atirou como um soldado soviético na frente oriental, em
Stalingrado, lutando contra os nazistas, em plena guerra. Atirou como uma
metralhadora, como se sua vida dependesse disso. E, no fundo, era isso: sua
vida estava no jogo, sua vida dependia disso.
“Nunca mais”, essa frase, como
estribilho, como ritornelo, aparecia em sua mente. “Nunca mais”. Havia, à
muitas custas, vencido a repressão, ou a parte mais difícil: a si mesma. Um
casamento furado e muitos namoros até compreender que a vida não volta, vai
para um lugar muito longe, para as aluviões do barqueiro sombrio, para depois da
terra firme. Perdera trinta e oito anos se escondendo. E as mulheres que
enganou? Aliás, as havia enganado? O mentiroso que crê na própria mentira se
engana? Não sabia, não era filósofo. Era apenas um homem, quer dizer, uma
mulher, quer dizer, era apenas um ser humano em busca de si mesmo, disposto a
vencer o mundo para se realizar.
Eduard Pamsa, ou melhor, Duda
Sanguínea não tinha nas veias um de barata. Não se iludia: apenas a primeira
batalha havia sido ganha. Ea guerra, aprendera quando serviu no Exército, a
guerra é feita de muitas batalhas. Como um inseto, a noite passada serviu para
que rompesse o casulo do enrustimento. E quanto tempo levou a incubação.
Hoje, sentada na cama, pronta para
fumar um cigarro, Duda reviu sua vida até ali, em um flash, como em um filme. A
infância livre, cercada de amigos e amigas, as primeiras brincadeiras; fora
muito feliz, pais amorosos, inteligentes. Teve contato com uma cultura que
somente muito depois descobrira que outras crianças nem sonhavam, autores e
artistas que elas não conseguiam nem falar, que dirá escrever.
Levantou-se, foi até a sacada de sua
casa em uma sobreloja no centro da cidade. Acendeu o cigarro. “Preciso mijar”,
pensou.
Se a infância fora prenhe de alegrias,
a adolescência foi um terror, pelo menos até que entendesse. Em um primeiro
momento, começou o desconforto. Via os outros meninos de namorico, apaixonado
pelas moças da rua e da escola. E ele, digo, ela? Apaixonada em seu melhor
amigo. As brincadeiras dos rapazes, passar a mão na bunda, simular o coito, disputar
quem tem o maior membro etc., eram mais que brincadeiras para ela. Eram um
deleite, o único momento em que podia ser quem sempre fora: Duda Sanguínea.
Mas, por dentro, se sentia dilacerado. Um rapaz mais fracote da rua, ela batia
e chamava de bichinha: “assim, ninguém descobriria, nem eu”, foi a conclusão
que se lha assomou agora, já entrando na idade da loba.
Lobo veio a primeira vez, com 16 anos,
idade em que os rapazes estão à flor da pele. Duda evitou o máximo que pode,
mas tomou um enquadro da menina. Tentou escapar pela última vez: “não tenho
camisinha”, disse. “Não tem problema”, foi-lhe objetado, “tomo anticoncepcional
e sou virgem”. Os amigos do lado de fora do quarto saberiam se ela saísse
rápido demais, coisas que nem mesmo a inexperiência, o balbucio peniano
explicaria. A moça era um diaba: se lha agarrou, fez preliminares, buscou o
poste túrgido. Em vão. Faltou-lhe ânimo. Explicou-se, até para si mesmo: “estava
nervoso, primeira vez”.
Logo descobriu que isso podia ser
vencido com meios artificiais: remédios para importência, usados por senhores
de alta idade, se tornaram sua companhia. Assi, podia fugir da constatação
brutal: não gostava de mulheres, queria ser uma.
Enquanto os garotos de sua idade
buscam as fitas pornográficas a fim de satisfazer o desejo sempre crescente por
sexo, ele assistia, escondido e se reprovando, vídeos de travestis. Seu foco
não era o sexo, era a mistura de mundo, era o encontro do céu com a terra, era
a ginga e a maquiagem, era o fato de, ali, acompanhado (admoestando os atores)
ou sozinho, acariciando-se, poder ser reconhecido por si mesmo, ainda que não
soubesse. Ali, era a si próprio, ali podia sair da casca e desabrochar como a
borboleta que sempre quis ser.
O casamento veio por pressão familiar.
Sua mãe e seu pai queriam netos. Ele, queria estabilidade e estar acima de
qualquer suspeita. Com o tempo, se acostumou com o sexo ruim, com a vida de
casado, com a rotina. Sua mulher já não o procurava, nem ele a ela. Viviam como
amigos, amigos íntimos, afinal, gostava dela. Só não queria fodê-la.
O casamento não durou, mas o filho
veio. Arrumou uma desculpa e foi cursar uma faculdade em outra cidade, longe do
filho, longe da ex-mulher. Na nova cidade, podia ser quem sempre fora.
Saía escondido da república. “Vou à
feira”, dizia. Ao mesmo tempo, somente conhecia um único tema de conversas:
travestis. Tudo era travestismo para ela ainda ele, tudo era motivo de abordar o
tema da transsexualidade, de fazer piadas, de apontar o dedo e dizer que seus amigos
gostavam de travestis. E assim, conjurava o sofrimento interno. Porque ela
ainda ele sofria. E sofria tanto que se dedicava a impor-se por meio da onipresente
diminuição de todos, como o fracote da infância. Apelidava os outros, sempre
com apodos jocosos e humilhantes. Era turrão, briguento, falastrão: era uma
pessoa infeliz.
A universidade passou e ele, à parte
algumas amizades mais profundas, não teve nenhuma experiência libertadora além
daquelas que já tivera na infância.
Agora, trabalhando, com o filho
crescido, se sentia diferente. Tudo começou quando, lendo uma reportagem, se
deparou com uma frase que lhe impactou profundamente: “só se vive uma vez”.
“Sim”, recapitulou, “uma única vez por
toda a eternidade”. Acendeu outro cigarro, tomou um gole d’água. Avançou pela
casa cheirando a gozo de macho e pensou: “nunca mais”.
sábado, 27 de junho de 2026
Kdu
O que aconteceu contigo, Carlos?
Qual bicho te mordeu?
Tinhas esperanças, sonhos,
Um futuro, um que era só teu.
Hoje estás destruído
Alquebrado pela vida.
És um longínquo ruído,
Uma coisa puída,
Estás num buraco infindo
Te tornastes uma fruta roída.
Oxalá encontre força
E se recupere.
A festa ainda não acabou.
As pedras do caminho
Só indicam que ninguém passou,
Mas para tudo o povo dá um jeitinho.
Para sair dessa fossa,
Te digo: levanta, lê um livro, te movimentas
Te organizas, não estás sozinho.
Tens a ti mesmo, teus camarás,
Um mundo, um sol com brilho.
Só não há além,
Não, nem um pouquinho.
R.P., inverno de 2026
segunda-feira, 6 de abril de 2026
Ártemis
No arcabouço das horas
E das eras,
Erra imenso
Pelo kosmo
Aceso,
Pelo voltear dos astros,
Pelos pastos,
Pelos passos,
Da escuridão infensa.
Quedamos aturdidos
Mesmo com aço,
Mesmo sabendo
Os caminhos idos.
Quedamos presa de nós
Próprios, de nosso asco,
Ascese das oportunidades
Perdidas.
Que vida amarga,
Que vida fodida:
De todas as possibilidades,
Deu-nos ser objeto
Deu-nos ser partida
De quem lucra com sofrimento,
De quem só pensa com a lombriga.
Possa o povo se unir,
Possam as eras ceder,
Possa a dor cessar,
Possa o dia, enfim, nascer.
RP, outono de 2026
terça-feira, 10 de março de 2026
Aquarela do Brasil
― Sou uma boa pessoa, amor?
― Hua, está tarde. Vá dormir.
― Sim, mas antes me responda: sou uma boa pessoa?
― É sim, meu bem. Por que a pergunta?
― Por nada, só uma dúvida.
E beijou-lhe.
― Boa noite.
― Boa
Mas não dormiu. Já era tarde, amanhã havia expediente no quartel. Não era um quartel, claro, mas era assim que chamavam. Apesar de já ser tarde, não conseguia pregar os olhos. Do infinito da noite, remoía-lhe essa dúvida: era boa gente?
Era militar, casado, pai de filhos, católico apostólico romano. Até conhecia o cardeal. Pagava os impostos, contribuía com a caixinha da igreja, tratava bem os animais, quando aparecia uma oportunidade, até mesmo ajudava as velhinhas a atravessar a rua. Vez ou outra chegava a esmolar para o Benedito. Dito era um negrão que morava nas cercanias da Sé, alcoólatra, mendigo, vinha do norte. Tentou a vida por aqui e não conseguiu. Fedia a merda. Mas controlava o asco para poder chegar perto de deus.
Na Escola de Formação de Oficiais, aprendera, com Clausewitz, um alemão do tempo de Napoleão, que na guerra o moral da tropa era importante, talvez o mais importante. Pensa bem: se o soldado não quer lutar, se vacila, se pensa que é inútil resistir ou que já perdeu, para que as armas? De que lhe bastam fuzis, escopetas, metralhadoras? De nada. Essa é a verdade. Na guerra, é todos por um e um por todos. Acima da soldadesca, só deus. Ah, e os oficiais.
Ele era oficial.
E aquilo era uma guerra.
Ou não era? Era sim. Havia tropas em conflito. De um lado, a vagabundagem comunista, essa ralé oriental, paga a ouro por Moscou para nos subtrair a liberdade. Ou a escumalha cubana. Ou quem sabe os malditos amarelos fazedores de pastel. Que se foda, é tudo lixo. São ateus, todos eles. Alguns até comem cachorro, os outros fazem lavagem cerebral desde jovem.
Era guerra.
E na guerra, quem não está disposto a ir até às últimas consequências nem deve se alistar. A guerra é sangue. A guerra é tiro, são tripas. A guerra é morte. Não se mata por prazer na guerra, ou quase ninguém o faz. Na guerra se mata porque se deve. É o dever do soldado matar, como é dever do inimigo morrer. Na guerra tudo é por dever. É assim porque é assim. Nada de questionamento. Ninguém questiona o Sol por ser quente, ninguém questiona a água por molhar. Por que um filha da puta acha que tem o direito de questionar um oficial superior? Ninguém tem esse direito. Obedeço quando sou mandado, mando quando devo e o putedo dos subordinados devem obedecer.
Na guerra vacilar diante da ordem pode colocar a tropa toda em risco. O medo contamina a soldadesca, um depois do outro vão caindo, como moscas diante do inseticida. A confiança tem que ser total.
O alemão que escrevia sobre moral sabia disso. Por isso disse que é essencial para um exército o bom chefe. O oficial de qualidade é aquele que sabe mandar, que faz todo mundo o obedecer com gosto, quase sem ver. É o gênio militar. Nós tínhamos vários chefes desses, ao menos a meu ver, a começar pelo presidente do país, até chegar em mim. Sou um bom chefe? Só não admito ser contrariado, mas não dou castigo injusto.
Talvez no trote. Nos damos um papel para o recruta ler em voz alta; só que, no lugar onde há uma vírgula, ele deve ler “de cu pra cima”, e onde há um ponto, leia-se “de cu pra baixo”:
“A República Federativa do Brasil, [de cu pra cima] ou só Brasil, [de cu pra cima] é um país localizado na porção oriental da América do Sul. [de cu pra baixo] O Brasil é composto por estados e um Distrito Federal, [de cu pra cima] em cujo território se encontra a capital do país, [de cu pra cima], Brasília. [de cu pra baixo]. O atual Presidente do país, [de cu pra cima], General Emílio Garrastazu Médici, [de cu pra cima] tem obtidos êxitos enormes na condução da política econômica, [de cu pra cima], com crescimento robusto, [de cu pra cima], criação de empregos [de cu pra cima] e industrialização do país. [de cu pra baixo.]”
Quem rir toma logo uma bofetada. Não é pra rir, porra, é para se segurar. Isso aqui é guerra, tem gente morrendo e arriscando a vida e o porra vem dar risada. Tem que se controlar. Militar tem de ser macho.
Se é guerra, meu serviço é necessário. Os comunistas são terroristas. Eles querem fazer de tudo para ganhar, roubam, batem, matam. E o pobre Tenente que o comunista traidor Lamarca matou a golpes de coronha? E o pobre Mário? E o dinheiro roubado, economia da vida toda de milhares de aposentados e trabalhadores? Os comunistas não tem vergonha na cara, são uns filhas da puta. Vendilhões da pátria, trocaram o país por uma merda de garrafa de vodca e um fumo cubano. Bando de filha da puta. Eu os odeio.
Quem se opõe ao mal só pode ser bom. O mal se mescla com o mal, como o bem mescla com o bem. É uma luta eterna.
Faço parte dessa luta, sou não soldado, sou guerreiro, luto não só pelo ordenado. Luto porque preciso, porque quero. Porque é o certo. Luto pelos meus filhos, por minha esposa, por minha família, colegas, por minha pátria. Luto por deus. Em nome de deus, o que não é permitido? A boa causa enobrece até o inferno.
Em nome de deus faço de tudo. É deus no céu, meu comandante na Terra. E meu comandante diz: não meça esforços; faço o necessário mas debele esses comunistas. In nominis patri, fili et spiritus sancti. Por todos os meios. Os comunistas tomaram metade do mundo. Se ganham aqui é pum, vai sobrar pra todos nós. Eles não tem misericórdia, não reconhecem Cristo-rei. Se bem que tem até padre no meio. Quer dizer, padre não: arremedo de padre, vermelho infiltrado, vagabundo.
Amor por todos é o caralho. Amor por quem nos ama. E quem nos ama, nos apoia. Foram às ruas pedir que viéssemos. E mesmo que não tivéssemos pedido. Juramos proteger nosso ver e amarelo, juramos dar a vida. Veja bem: verde e amarelo, não tem nada de vermelho. Vermelho é país que faz a guerra, vermelho são os comunistas. Queremos a paz, nossa guerra é contra aqueles que querem a guerra os subversivos. Nossa guerra é para não ter guerra.
São de muitos tipos. Tem os cubanos, os chineses, os russos, tem até de tipo europeu. Só não tem cristão. Corrompem a juventude, fodem com o negócio todo, lavagem cerebral, maldizem Nossa Senhora, cospem no papa. Temos que resistir.
Já disse: toda arma é santa na guerra santa quando o inimigo é o mal. Eles mesmos se odeiam, faz lá vinte anos que se denunciaram. O tal Stálin perseguia os próprios comunistas nos confins da Rússia. Foi caçar um lá no México. Nem eles se suportam. Proteger nossa juventude, evitar a contaminação.
Comandante disse: faça o que for necessário. Sigo ordens, sou soldado, sou guerreiro, desço a porrada. Fui treinado para não sentir fome, frio, calor ou medo. Eu obedeço e faço obedecer. Contra a escroqueria comunista vale tudo.
Que é uma unha arrancada perto da salvação de dezenas de milhões? Que são uns cabelos puxados? Queimaduras? Uns ossos quebrados. Na guerra mata-se. Que eles farão, se ganharem, com gente como nós? São ladrões. A propriedade é santa¹ A família é santa! Na guerra, toda arma é boa se benzida. O capelão a benze para nós. A boa sociedade está conosco.
Há excessos? Talvez! É o preço a se pagar.
Morrem inocentes? Não há inocentes na guerra. Se é amigo do inimigo, é meu inimigo, merece morrer.
Quem causa tudo são eles mesmos. Por que não se filiam à oposição? Por que se op~em ao que está acontecendo? Há crescimento, todos estão ganhando dinheiro, o país anda pra frente, vencemos a Copa, somos os melhores, somos os primeiros. Somos o país do futuro. Por que se opor? Que haja lá pobreza, mas os que sofrem nessa vida vão ser recompensados. Assim, até ajudamos o putedo comunista os fazendo sofre: deus se compadece. Expiam os pecados na Terra, vão direto para o purgatório. Do contrário, seria o inferno, do contrário, sofreriam no garfo do capeta.
Eu gosto mesmo é do choque. A carne do vagabundo fica mole, mole, abre tudo, diz até o que não sabe. Estupro não faço e sob minhas ordens não se faz. Um cassetete não é estupro, só com o pau e por prazer é que é. Não temos prazer, temos contentamento por servir a pátria, por salvá-la, por por nos trilhos esse Brasilzão. Vamos cumprir nosso dever, vamos impedir que isso aqui vire um país vermelho, vamos crescer primeiro e depois distribuir, como disse o ministro. E quem não quiser, pode ir embora, os aeroportos estão à disposição, vão pro cu do Judas, mas não atrapalhem a maioria. A maioria nos apoia, é católica, a Igreja já proibiu o comunismo. A maioria é silenciosa e apática, e sua apatia é sinal que tudo está bem.
Em cinquenta anos, seremos a segunda maior potência. Vamos ultrapassar até a Rússia. Vocês verão. Então os netos dos comunistas, se deixarmos algum sobrar, lamentarão os erros de seus avós. Porque aqui é Brasil. Aqui é verde-amarelo, não vermelho. Aqui é ordem e progresso. Aqui é o país do futuro. E o futuro demora, mas chega. Ele chegará.
sábado, 10 de janeiro de 2026
Z.
- Armamos as choupanas,
Sorvemos o licor da terra,
Extraímos o néctar o mais puro da natureza,
Provamos o tutano das bestas
E os frutos do solo,
Os quais, de prévio, apascentamos e domamos.
Crescemos sob o uso do humus mesmo.
E tudo para que?
Para nos tornarmos pasto de vermes e pousio das moscas,
Para nos misturarmos com tudo aquilo que vivo,
Jaz morto, entremeado à poeira,
Para ter nossa dignidade reduzida ao chorume
Que envenena o corpo do planeta
E polui a água mesma,
Este vinho da vida.
...
- Mas o que esperavas?
O divino encarnado?
O diamante vivo?
O cristalino do eterno?
Queres demais,
Foste mal acostumado
Pelas tontarias dos platônicos de batina.
Senta em tua poltrona,
Traga a aguardente que te faz sentir vivo
E prova do manjar que te é ofertado.
A vida é curta e insensível
Somente para os autômatos
Que já não refletem
E matam o presente
Na futura frialdade da tumba.
RP, verão de 2026
[Tradução] Que é a vida? Menandro / Tí έστι ò βίος; Μενάνδρου
Que é a vida?
Menandro
Quando desejares ver a si mesmo como és,
olhe dentro dos monumentos enquanto viajas.
Lá há osso e ligeiro pó
dos homens, reis e dos tiranos e dos sabios
[que] muito se preocuparam sobre a estirpe e as coisas
[e da] deles opinião pois sobre os belos corpos.
Nada dessa coisas concerne o tempo.
Vazio o Hades tinham todos os mortais
Sabendo isto, conheça de você mesmo o que és..
Tí έστι ò βίος;
Μενάνδρου
Ό ταν είδέναι θέλης σαυτόν 'όστις εΐ,
έμβλεψόν εις τά μνήμαθ’ ώς όδοιτορεϊς.
Ένταϋθ' ενεστ'όστά τε καί κούφη χόνις
άνδρών βασιλέων χφί τυράννων καί σοφών
καί μέγα φρονοϋντων έτί γένει καί χρήμασιν
αυτών τε δόξη κάτι χάλλει σωμάτων.
Κ ίτ' ούδέν αΰτοϊς τώνδ' έτήρχεσεν χρόνον.
Κοινόν τόν “Αιδην έσχον οί τάντες βροτοί.
Προ? ταΰθ’ όρών γίγνωσχε σαυτόν όστις εϊ.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
Venezuela
Quando o mundo for dos povos
E a ganância,
- Triste, triste,
Mas não de dar dó -
For os restos da festa,
Choverá néctar na pérgola
Conduzente à festa de comunhão da humanidade.
Estes são os votos.
Para tanto,
Há de se romper a espessa crosta
Que nos divide, separa e sujeita.
Essa crosta tem nome, endereço e cama.
A vida é um sopro curto
Para desperdiçarmo-la com intrigas
E pequenezas.
O que vale é o vivo.
Eles disto sabem;
Mas, para os senhores do desprezo,
Mais vale a morte.
Que triste!
Vamos lhes opor nossa mais tenaz resistência.
Até a vitória do riso,
Camarada.
RP, verão de 2026
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Lista de livros lidos 2025
Janeiro
CICERO, Gaius Tulio. Academica. With an English translation by H. Racham. Loeb Classical Library. Cambridge/London: Harvard University Press/William Heineman, 1967
CORNELSEN. Grammatik aktiv: Deutsche als Fremdsprache A1-B1. Üben, hören. sprechen. S.l.: Cornelsen: c. 2000
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad I. Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 2018
MARCIAL, Marco Valério. Epigramas. Edição bilíngue. Tradução, notas e posfácio de Rodrigo Garcia Lopes. Cotia: Ateliê Editorial, 2019, 2a ed.
ALEXANDER, Ronelle. ELIAS-BURSAC, Ellen. Bosnian, Croatian, Serbian. A textbook with exercises and basic grammar. Madison: The University of Wisconsin Press, 2006, 2a Ed.
GASSENDI, Pierre. La logique de Carpentras. Turnhout: Brepols, 2012
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad II-A y II-B. Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 1995
NORRIS, David. Teach yourself Croatian. London: Hodder, 2007
CICERO, Gaius Tulio. Academica Priora. With an English translation by H. Racham. Loeb Classical Library. Cambridge/London: Harvard University Press/William Heineman, 1967
SEXTO PROPÉRCIO. Elegias de Sexto Propércio. Organização Guilherme Gontijo Flores. Edição bilíngue. Belo Horizonte: Autêntica, 2014
VIRGILE. Bucoliques. Texte établi et traduit par E. de Saint-Denis. Paris: Belles Lettres, 1949
PÉRSIO. Sátiras. Edição bilingue. São Paulo: Madamu, 2023
KUDYMA, Anna S. MILLER, Frank J. KAGAN, Olga E. LAVERY, Michael. Beginner's Russian with interactive online workbook. New York: Hippocrene, 2022
MARX, Karl. Misère de la philosophie. Paris : Payot & Rivages, 2019
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad III-A Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 1995
Fevereiro
HITLER, Adolf. Mein Kampf. München: Zentralverlag der NSDAP, 1943
SAVIANI, Demerval. Escola e democracia. Campinas: Autores associados, 1999, 32a ed.
FLEER, Sarah. Curso de gramática Langenscheidt Alemão. São Paulo: Martins Fontes, 2021, 2a ed.
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad III-B. Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 1995
BABIĆ, Slavna. Serbian-croatian for foreigners. Beograd: Centar za izdavačku delatnost, 2001
RIBNIKAR, Vladislava. NORRIS, David. Teach yourself Serbian. London: Hodder, 2009
AKHMATOVA, Ana. Réquiem. Edição bilingue. SP: Art, 1991
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad IV-A. Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 1995
VIRGÍLIO, Publius Maro. ENEIDA. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Edição bilíngue. São Paulo: 34, 2016
HUME, David. A Treatise on Human Nature. Edited by L. A. Selby-Bigge. Oxford: Oxford an Clarendon Press, 1960
GINSBERG, Allen. Howl and other poems. Mansfield Centre: Martino, 2014
Março
VIZUETE, José Hernández. Curso de Latín de Cambridge Unidad IV-B. Sevilla: Editorial Universidad de Sevilla, 1995
COMTE, Auguste. Cours de philosophie positive Tome I. Edição virtual Projeto Gutenberg, 2010
RIMBAUD, Arthur. Œuvres poétiques. Paris: Garnier-Flammarion, 1964
BOUTHOUL, Gaston. Traité de sociologie. Les guerres. Éléments de polémologie. Paris: Payot, 1951
TRAKL, Georg. Sämtliche Gedichte. Berlin: Insel, 2014
BOUTHOUL, Gaston. Lettre ouverte aux pacifistes. Paris: Albin Michel, 1972
GUMPLOWICZ, Ludwig. Der Rassenkampf. Soziologische Untersuchungen. Innsbruck: Verlag der Wagnerschen und Universitätsbuchhandlung, 1909 [1875]
BROWN, Nicholas J. The new Penguin Russian course. A complete course for beginners. UK/Canada/USA: Penguin Books, c. 2000
COMTE, Auguste. Cours de philosophie positive Tome II. Edição virtual Project Gutenberg, 2010
POIRIER, Lucien. Les voix de la stratégie: Guibert (1743-1790). Paris: Fondation pour les études de défense nationale, 1977
Abril
BODIN, Jean. Les six livres de la république. Édition et présentation de Gérard Mairet. Paris: Librairie générale française, 1993.
ALIGHIERI, Dante. A divina comédia: Inferno. Edição bilingue. Tradução e notas Ítalo Eugênio Mauro. São Paulo: 34, 2022
BORGES, Jorge Luís. El Aleph. In Obras completas vol. I. Buenos Aires: Emecé, 2005
NOVAK, Nancy. Ultimate Russian Beginner-Intermediate. S.L.: Living language, c. 2010
ESPINOSA, Baruch de. Tractatus emendatione et de via, qua optime in veram rerum cognitione dirigitum. In ESPINOZA, Baruch. Tutte le opere. A cura di Andrea Sangiacomo. Testo originale a fronte. Milano: Bompiani, 2011
JAMMER, Max. Concepts of force. S.l.: Harper Torchbook, 1962
POIRIER, Lucien. Essais de stratégie théorique. Paris: Fondation pour les études de defense national, 1983
KANT, Immanuel. Kritik der reinen Vernunft. Hamburg: Felix Meiner Verlag, 1956
Maio
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GUMPLOWICZ, Ludwig. Grundriss der Soziologie. Wien: Manzsche k.u.k. Hof-Verlags und Universitäts Buchhandlung, 1905
MONTESQUIEU, Charles de. Les lettres persanes [1721]. In. MONTESQUIEU, Charles de. Ouvres complètes. Edição digital: Arvensa, c. 2015
GUMPLOWICZ, Ludwig. Raçe und Staat. Eine Untersuchung über das Gesetz der Staatenbildung. Wien: Verlag der G. J. Manz'schen Büchhandlung, 1876
SPINOZA, Benedictus de. Cogitata metaphysica. In ESPINOZA, Baruch. Tutte le opere. A cura di Andrea Sangiacomo. Testo originale a fronte. Milano: Bompiani, 2011
KANT, Immanuel. Grundlegung zur Metaphysik der Sitten. Digitale Bibliothek Band 2: Philosophie, c. 2015
HATHERALL, Dietlinde. HATHERALL, Glyn. Colloquial German. The complete course for beginners. London/New York: Routledge, 1995
GOBINEAU, Comte de. Essai sur l'inégalité des races humaines vol II. I.Paris: Firmin-Didot et cia., 1884, 2ª ed.
NIETZSCHE, Friedrich. Die Geburt der Tragödie [1872]. In Digitale Gesamtausgabe. Herausgegeben von Giorgio Colli und Mazzino Montinari. Quelle www.nietzschesource.org. Version 1.0, Jul.i 2012
LARANJEIRA, Mário (org.). Poetas de França hoje 1945-1995. São Paulo: Edusp/FAPESP, 1996
BÉNÉ KATUNARIĆ, Sineva. Le croate sans peine. Chenneviéres-sur-Marne: Assimil, 2012
AVELEZA, Manuel. As fábulas de Esopo. Texto bilíngue. Rio de Janeiro: Thex, 1999
Junho
NIETZSCHE, Friedrich. Unzeitgemässe Betrachtungen. Erste Stück: David Strauss [1873]. In Digitale Gesamtausgabe. Herausgegeben von Giorgio Colli und Mazzino Montinari. Quelle www.nietzschesource.org. Version 1.0, Juli 2012
GAUKROGER, Stephen. Descartes' system of natural philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 2004
CAMPBELL, Michael. PETROVIC, Magdalena. Glossika Mass sentences: Serbian. Complete fluency course. 1. Taiwan: Glossika, 2015
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DICKINSON, Emily. Poesia completa. Volume I: os fascículos. Edição bilíngue. Brasília: EDUnB / EDUNICAMP, 2020
WINDELBAND, Wilhelm. Geschichte und Naturwissenschaft. Strassburg: Heitz & Mündel, 1904
GANCHO, Cândida Vilares. Introdução à poesia: teoria e prática. São Paulo: Atual, 1989
POUND, Ezra. Cathay. London: Forgotten Books, 2015
ALIGHIERI, Dante. A divina comédia: Purgatório. Edição bilingue. Tradução e notas Ítalo Eugênio Mauro. São Paulo: 34, 2022
Julho
DREYER, Hilke. SCHMITT, Richard. Lehr- und Übungsbuch der deutschen Grammatik. München: Verlag für Deutsch, 1985
SPINOZA, Benedictus de. Ethica ordine geometrico demonstrata. In ESPINOZA, Baruch. Tutte le opere. A cura di Andrea Sangiacomo. Testo originale a fronte. Milano: Bompiani, 2011
DUENSING, Annette. BATSTO, Carolyn. Colloquial German 2: the next step in language learning. London and New York: Routledge, 2010
MOUFFE, Chantal. Agonistics: thinking the world politically. London/New York: Verso, 2013
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BERNARDINI, Aurora Fornoni (org.). O futurismo italiano. São Paulo: Perspectiva, 2013
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COMTE, Auguste. Cours de philosophie positive Tome III. Edição virtual Project Gutenberg, 2010
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MAIAKÓVSKI, Vladimir. Mistério-bufo. Tradução de Dmitri Beliaev. Edição bilíngue. São Paulo: Musa, 2001
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DUTRA, Luiz Henrique de Araújo. Introdução à epistemologia. São Paulo: EDUNESP, 2010
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FOUCAULT, Michel. Leçons sur la volonté de savoir (1970-1971) suivi de Le savoir d'Oedipe. Paris:Gallimard/Seuil, 2011
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VELASCO, Patrícia del Nero. Educando para a argumentação. Contribuições do ensino da lógica. Belo Horizonte: Autêntica, 2010
BISPO, Marcelo de Souza. Sociologia da administração. Curitiba: Appris, 2024
SILVA, Luiz Ricardo Mantovani da. Ciência, tecnologia e sociedade. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2024
KONDER, Leandro. Marx - vida & obra. São Paulo: Paz e terra, 1999, 7a edição
SILVA, Natália Pereira Ribeiro da. Foucault e Mouffe - O poder político como agon, o agonismo do jogo e o antagonismo do enfrentamento. São Carlos: Universidade Federal de São Carlos, Dissertação de mestrado, 2024
SCHMITT, Carl. Politische Theologie. Vier Kapitel zur Lehre von der Souvernität. Berlin: Duncker & Humblot, 2015 [1922], 10ª ed.
Novembro
FOUCAULT, Michel. Penal Theories And Institutions. Lectures At The Collège De France (1971-1972). Tradução de Burchell. G. Switzerland: Palgrave-Macmillan, 2019
MOUFFE, Chantal. The return of the political. London/New York: Verso, 1993
STEDILE, João Pedro. A questão agrária no Brasil. O debate tradicional (1500-1960). São Paulo: Expressão Popular, 2013
FIGUEIRA, Felipe. O plano de aula e a prova didática. São Paulo: Desconcertos, 2025
MOTTA Fernando C. Prestes. O que é burocracia? São Paulo: Brasiliense, 2000, 16ª ed.
BISPO, Marcelo de Souza Bispo. Sociologia da administração: o conflito moral diante dos grandes desafios societais. Curitiba: Appris, 2024
LÉVY, Pierre. O que é o virtual? Tradução de Paulo Neves. São Paulo: 34, 1996
Dezembro
LÖWY, Michael. Ideologia e ciência social: elementos para uma crítica marxista. São Paulo: Cortez, 1985
TARDE, Gabriel. L'opposition universelle. Essai d'une théorie des contraires. Paris: Félix Alcan, 1897
BARROS, José D’Assunção. Teoria da história. Volume II: Os primeiros paradigmas: positivismo e historicismo. Petrópolis:Vozes, 2011a
SCHOPENHAUER, Arthur. Eristische Dialetki oder die Kunst, Recht zu behalten. Zürich: Kein & Aber, 2009
KANTOR, Philippe. Chinese with ease volume one. Noida (India): Goyal, 2006
BERTI, Enrico. Logica aristotélica e dialettica. Prezentazione di Barnaba Maj. Bologna: L. Cappelli, 1983
KANTOR, Philippe. Chinese with ease volume two. Noida (India): Goyal, 2006
PLATO. Πρωταγορας (η σοφισται· ενδεικτικοσ). In Laches. Protagoras. Meno. Euthydemus. With an English translation by W.R.M. Lamb. Cambridge: Harvard University Press/London William Heinemann, 1957
BECKER, Alexander. SCHOLZ, Peter. Dissoi Logoi. Zweierlei Ansichten. Ein sophistischer Traktat. Berlin: Akademie, 2004
KONDER, Leandro. O que é dialética? São Paulo: Brasiliense, 2008
Lista de textos publicados em 2025
Capítulos de livro
1. O inventário da crítica: sobre a recepção de Álvaro Vieira Pinto
Felipe Luiz
https://www.institutoquerosaber.org/editora135?fbclid=Iwb21leAPBi4VjbGNrA8GLdWV4dG4DYWVtAjExAHNydGMGYXBwX2lkDDM1MDY4NTUzMTcyOAABHr0bHZpKE2D0QGCQGVWIJYb1lPziuON3k0SYeN6V2JAC192s7IHeENxX1BCY_aem_gku2J-3OWJ_iTCoLvHwMyA
2. Nas origens do conceito de estratégia de Michel Foucault
Felipe Luiz
https://institutoquerosaber.org/editora169
Artigos científicos
1. Esboço de uma filosofia da educação
Felipe Luiz
Resumo: O objetivo do presente texto é articular, em um todo coerente, a resposta a três questões pertinentes ao ensino de filosofia. As questões são: “O que faz o filósofo quando seu ofício é ser professor de filosofia?”; “O que significa aprender filosofia?”; e“O que significa ensinar filosofia?”. Para tanto, recorremos à fonte da história da filosofia, fazendo apelo ao momento do surgimento desta. Depois, estabelecida nossas bases metodológicas, buscamos um nível lógico de análise, articulando nossas posições com alguns elementos típicos de uma filosofia da educação embrionária.
https://share.google/0lXpbKa9F7xpUUjkt
2. Ciência como tática - revista paranaense de filosofia
Felipe Luiz
Resumo: O objetivo do presente trabalho é articular algumas ideias relativas ao surgimento e ao desenvolvimento da filosofia no Ocidente, contrapondo-nos a autores como Michel Serres; explicitar as relações entre filosofia, religião e política, e indicar, mesmo que sumariamente, as finalidades da filosofia. Trata-se, assim, de uma filosofia da história da filosofia e uma tal que filosofante. A filosofia é apresentada como sendo uma estratégia histórica, a qual possui duas táticas: a ciência e a política; e se opõe, em fundamento, à religião e à antifilosofia. Seu fim seria o advento daquilo que chamamos de maquinidade, quando as fronteiras biológicas do humano forem rompidas e pudermos realizar o objetivo primeiro da filosofia: conhecer o ser
https://share.google/aSDMTOWbbgI6yY1rm
Textos de opinião
1. A esquerda tem de dizer menos à periferia e fazer mais
Felipe Luiz
https://zeroaesquerda.com.br/index.php/2025/02/07/a-esquerda-tem-que-dizer-menos-as-periferiase-fazer-mais
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
No meio do caminho
No meio do caminho,
Já traçado, todo certinho,
Havia, entretanto,
Outro caminho,
Que se abriu em outro
E em outro e em outro ainda
Caminho.
De Caminha em caminha,
Caminho.
Nunca esquecerei esses acontecimentos
Na vida de meu couro
Tão maltratado:
Que de, caminho em caminho,
Eu, ainda no meio dele,
Caminho
Em busca de uma caminha.
Verão de 2025
sábado, 27 de setembro de 2025
I.C.E.
Nunca te conheci,
Silverio Villegas González,
Mexicano de Michoacan,
Pai de filhos,
Trabalhador no coração do Império.
Nunca te conheci,
Mas é como se fôssemos
Velhos amigos,
É como se nas dobras do tempo
Tivéssemos partilhado infância
Copo e mesa.
Nunca te conheci,
Mas te vejo todos os dias
Na América Latina nossa
Na América Latina que expulsa seus filhos
Para serem mortos pelos abutres do norte.
Nunca te conheci,
E, se tivesse te conhecido,
Teria dito: não vá!
Fica!
Mais vale tua vida e a dos teus,
Mais vale os nossos.
Nunca te conheci
Mas ao ver teu assassinato
Senti um gosto de sangue
Como se minha carne tivesse sido cortada.
O fascismo voltou, não sabias?
Ah, mas é claro que o sabias;
Do contrário, por que teria partido?
O fascismo permaneceu e segue matando gente como nós.
Para gente da gente, é sempre fascismo.
Até que nos cansemos,
Até que os caixões sejam outros e outras as lágrimas.
Mas, desta vez, serão lágrimas de alegria,
Porque o mundo será nosso!
RP, Primavera de 2025
Em memória de Silvério Villegas González, morto pela polícia política de Trump neste setembro de 2025
domingo, 10 de agosto de 2025
Petit IV
Ó Petit,
Sinto fogo imenso
Derrete minha bunda
Quando no seu pau penso
Se a Parca iracunda
Seu amor não me conceder
Quero não amar nunca mais
Prefiro morrer!
Se, no da vida cais,
eu não obter
A sua parte de trás
Que o mar me trague
Que o Orco me desvaneça
Só quero que minha mão pegue
Na sua parte e que ela cresça!
Declarei-me já
Agora responda
Devo abrir uma cerveja
Ou preparar morte hedionda?
Primavera de 2024
Do futuro
Meu estômago já provou
O gosto amargo da miséria
O peso do vazio.
Já sofri as sete pragas
Que me vergaram.
Por hora, são passado.
Mas, no rio da vida,
Onde nos banhamos
Sem repetição,
Quem conhece as misérias
Que me aguardam?
Do futuro, quem sabe?
Do futuro, qual sabe?
Do futuro, qual, sabe?
RP, inverno de 2024
Wabstratinho
Por tentativa e erro fiz a vida,
Por vezes acertada,
Noutras sofrida,
Mas sempre bem vivida.
De azar e sorte
Fiz carreira
E de estratégia, construí um norte.
Não deixei sobreira
Amei por esporte
Me fiz homem
Me fiz gente
E o se assim não me aceitem
Não faz mal, sou ser, sou ente.
Quando dá medo,
Me torno mais valente.
Medo do arremedo
De amor, medo de não te ver novamente.
Na hora da dor, meu coração por ti bate,
Minha pele por ti sente
Tenho certo que nós dois
Vamos seguir em frente
Como feijão com arroz,
Com amor que não mente.
RP, inverno de 2024
Descrição sumária dos inimigos
Não,
Não é a fome que me preocupa,
Mas a sede.
A sede de sangue.
Intensa, fatal.
A obsessão com o sofrimento
O modo como se organiza o mundo
Para a dor.
Não há o que baste para saciar
Essa sanha.
Melhor seria se nosso dever fosse
O gozo.
Gozo intenso, gozo forte
Fruir fundo a vida,
Essa brisa que nos leva
Esse furacão que arrasta
Essa tempestade que assola.
Os negadores,
Os anacoretas do desconforto,
Os senhores do tormento,
Os profetas dos seres imaginários,
Os escravos do papel,
Os duques da moeda:
Eis o inimigos que não gozam.
Quando o humano aproveita,
É o próprio tempo que para.
É o tecido do universo
Que conosco vibra.
É a vida mesma que pulsa.
Não,
eles não gozam.
RP, inverão de 2024
Compromisso
Quase não canto
A beleza da vida
Talvez por que a terra
Me pareça sofrida
Quase não falo
Da graça da população.
Se ela tivesse unidade,
Seríamos nação
Raramente digo
Como é bom respirar.
Pudera: tempo todo
Me concentro em não sufocar.
Mas há os os animais
Os bichinhos, as plantas
O solo mesmo e tais.
Estamos convosco.
Se vencermos,
Terão muito mais.
S.C. verão de 2024
Abstratinho II
A fumaça eleva-se tórrida
Das plantações.
O sol já deitou seus raios
Que fulminam a terra
Cessando, enfim, o calor.
Mas, nas dobras do peito,
Há uma brasa, um ardor.
Não é solar
Nem puro fruto do coração.
É o desenrolar da vida
E do sentimento,
São os espíritos animais
Levando movimento aos membros.
É o cio da sensação
Que arrebata e conduz.
É o pensamento fixo,
Não nas montanhas ou nos lagos
Ou nos arcaicos paradoxos,
Mas pregado no corpo: no teu.
Mira certa na alma: a tua.
Desejo de expandir o quentume,
De me locupletar
Nas suas reentrâncias e protuberâncias,
De me saciar na tua fonte coberta
Oásis no deserto do ser.
S.C., verão de 2024
Máxima da razão libertina
Comida e água
Bebida e mamada
Não se nega a ninguém,
Não se nega por nada.
Verão de 2024
Abstratinho
A carruagem penetra na escuridão da estrada
Me afastando de você.
Outra vez, o mesmo erro:
O espelho que não reflete
A mão que não aperta
A boca que não beija.
Busca que segue.
Prendo a respiração,
E sou carregado para a treva funda.
Estrada, verão de 2023